Rafaella tinha apenas 10 anos e cursava o quinto ano em uma escola pública quando começou e ser julgada pelos “colegas” de classe, mas ela levava na brincadeira o que os meninos falavam. Neste mesmo ano, no mês de julho, seu avô materno (e diga-se de passagem o homem mais importante da vida dela) faleceu, Rafaella, acho que não suportaria tal perda, mas mal sabia ela que ainda viveria muitas outras coisas piores…
Quatro anos após o início das gozações, veio a notícia que seria pior do que a da perda de seu avô, seu pai, o homem que até então, ela amava e adorava, havia traído sua mãe, e com isso, toda a sua família. Com essa notícia e todos seus pensamentos turbulentos, Rafaella, que já não suportava mais, para de se alimentar, de ver seus amigos e de sair, seu pai, ia todas as tardes até a sua casa e humilhava a garota, dizendo coisas do tipo “você não merece ser feliz” ou “nada vai dar certo pra ti” ou até mesmo “você não tem mais serventia para mim”, a garota, que já não se alimentava direito, larga o esporte que praticava e entra em depressão seguida de início de anorexia.
Março de dois mil e doze.
Rafaella estava à uma semana de seu aniversário, quando seu melhor amigo, telefonara, dizendo que iria para a sua cidade comemorar os dezesseis anos de vida, a garota estava feliz e empolgada, quando, dois dias depois, toca seu telefone, um número desconhecido, era Ana, namorada de Diogo (seu melhor amigo). Ana estava em prantos, quando deu a noticia de que Diogo, estava morto, e com ele, uma carta de despedida para Rafaella.
Os meses foram se passando, e Rafaella não havia se conformado com a morte daqueles que ela amou, a cada noite ela se lembrava de coisas horríveis. Lembrava-se de seu passado, que estava cada vez mais perto dela.
Em algumas noites, quando saía da escola, no caminho encontrava o homem que arrancou de suas mãos, a sua infância.
Aos seus sete anos de idade, Rafaella adorava subir no pé de goiabas e brincar lá no alto, a árvore, ficava em um terreno baldio, ao lado da casa de sua avó. Certo dia, quando a garota fazia o que era de costume, até que chegou um “parente” (por assim dizer) seu. a menina, com medo logo voltou correndo para a casa.
Numa das noites em que dormira na casa de sua tia, para ficar jogando vídeo-game com seus primos, Rafaella acordou sozinha, mas não completamente, lá estava esse parente, ele subiu na cama com a garota, a segurou, e forçou ela a fazer coisas que nenhuma criança deveria saber o que era. Alegando que isso a “faria crescer”, que “ela precisava virar mulher logo” e coisas do tipo, Rafaella foi brutalmente arrancada de sua infância.
Rafaella, hoje, se vê como um monstro, alguém facilmente dispensável para as pessoas, talvez ela não esteja errada, ou talvez, todos sejamos dispensáveis.